Wednesday, December 08, 2004

Dança das cadeiras


A versão de 2005 da dança das cadeiras é igual à de 2004, 2003, 2002... por aí fora. Só as marcas e as viaturas mudam de uns anos para os outros porque os pilotos são os mesmos da última década, excepção e honras feitas à Citroen quando apostou em Armindo Araújo.
Não que os pilotos mais experientes não tenham o seu lugar e não dêem o seu contibuto, mas que desporto será esse que não se renova, que não cria novos ídolos, novos campeões. A culpa não é só das marcas e das equipas, pois estas vêm com agrado os preciosos patrocínios dos pilotos, e claro que os pilotos consagrados são os que conseguem os maiores apoios.
Cabe assim, à entidade federativa regular a situação não só através de efectivas competições de promoção, como dar continuidade às mesmas apoiando directamente os pilotos permitindo-lhes o primeiro passo nos campeonatos principais, à semelhança do que faz a federação francesa ao promover pilotos no WRC, dando origem a impressionantes desempenhos como o de Sarrazin no rali da Catalunha deste ano.

Monday, December 06, 2004

Sunday, December 05, 2004

O pendura


É ao lado do volante, com o caderno nas mãos que muitos pilotos frustrados conseguem chegar próximo do sonho de infância, o desporto automóvel e os ralis.
Co-piloto ou também conhecido por navegador, pendura, lastro, o que vai no lugar do morto, representa a, tantas vezes, ingrata função de navegar o piloto durante uma prova de rali. Navegar significa orientar o piloto através do itinerário de prova, na gíria, “cantar” as notas que antecipam a descrição da estrada, alertam perigos, desenham trajetórias e impõem ritmo e velocidade. Cada equipa utiliza o seu código de notas estabelecendo uma comunicação muito própria, alheia e estranha ao público em geral, menos conhecedor destas andanças. Existem pilotos que gostam de ouvir as notas em tom elevado e com algum ritmo, mantendo uma certa cadência, exigindo no entanto uma maior cumplicidade entre piloto e navegador, num estilo observável em equipas rotinadas e com muitos quilómetros em conjunto. Outros há, que preferem um tom mais pausado, quase relaxado, num estilo mais universal, menos personalizado, acessível desde o início, de aprendizagem rápida.
Das boas equipas diz-se que o piloto é cego e guia só de ouvido, ao som das notas do seu navegador, servindo este de catalisador ao virtuosismo do primeiro, quantas vezes motivando para um andamento mais rápido e outras abrandando, servindo de contrapeso à impetuosidade do condutor.
Ao co-piloto, exige-se que mantenha uma concentração inabalável, que não se atrase nem se adiante, com uma dicção de locutor e bom senso de ancião conduza o piloto até à vitória. Quando esta acontece, de forma ingrata, o mérito pertence só a quem leva o volante, parecendo que vai sozinho dentro do carro, como se por milagre pudesse conhecer todas as curvas de todos os ralis, conduzindo com a máxima certeza e confiança, como se do caminho de casa se tratasse. Em prova, ambos conhecem as suas indispensáveis funções e enquanto o piloto é destreza e virtuosismo, ao qual tudo se aplaude e se perdoa, o navegador é a constante angústia do erro, ao qual não passará sem o habitual adjectivo de “lastro” ou sem o comentário “…só vais a fazer peso”, de nada valendo as intermináveis horas a passar cadernos de notas ou o trabalho invisível, da burocracia, da organização dos meios, marcações de hotel, inscrições, verificações, horários, ..., enfim tudo pela paixão pelos ralis.