Monday, December 20, 2004

Slot racer - o automobilismo de bolso



“Em que classe corres?
Eu corro nos clássicos, e tu?
Eu corro nos turismos, mas o ano passado fiz o troféu Porche.”

Este tipo de diálogo pode ser ouvido à volta de qualquer pista de Slot Race, por esse país fora. É um velho desporto, novamente na moda, onde miúdos mas maioritariamente graúdos se deliciam de gatilho nas mãos fazendo evoluir os seus bólides, pelas calhas electrificadas de autódromos constrídos na garagem ou na sala de jantar. O detalhe das viaturas é enorme, Porches 969, Ford GT40 ou BMW 635 voltam a competir, com requintes técnicos incríveis, chassis, pneus e motores magistralmente afinados por preparadores de mala de costura na mão.
Os carros são à escala mas a paixão é a mesma das corridas a sério.

Wednesday, December 15, 2004

Rossi limpa tudo


Valentino Rossi participou no passado fim-de-semana no Bolonha Motorshow, utilizando um Toyota Corolla WRC. A foto regista o momento em que ao tentar fazer o chamado “rapa bico”, no ataque à curva, acabou num “come bico” da barreira de pneus. É caso para dizer que Rossi limpa tudo, até as escapatórias.

Sunday, December 12, 2004

Rossi - limpa mais branco


Rossi apresentou o capacete ironizando o episódio da desclasificação que sofreu depois dos seus mecânicos terem limpo a zona de partida no GP do Dubai.
No fundo, a mensagem que a decoração transmite é que a fórmula Rossi é a mais eficaz para limpar títulos e campeonatos do mundo.

Wednesday, December 08, 2004

Dança das cadeiras


A versão de 2005 da dança das cadeiras é igual à de 2004, 2003, 2002... por aí fora. Só as marcas e as viaturas mudam de uns anos para os outros porque os pilotos são os mesmos da última década, excepção e honras feitas à Citroen quando apostou em Armindo Araújo.
Não que os pilotos mais experientes não tenham o seu lugar e não dêem o seu contibuto, mas que desporto será esse que não se renova, que não cria novos ídolos, novos campeões. A culpa não é só das marcas e das equipas, pois estas vêm com agrado os preciosos patrocínios dos pilotos, e claro que os pilotos consagrados são os que conseguem os maiores apoios.
Cabe assim, à entidade federativa regular a situação não só através de efectivas competições de promoção, como dar continuidade às mesmas apoiando directamente os pilotos permitindo-lhes o primeiro passo nos campeonatos principais, à semelhança do que faz a federação francesa ao promover pilotos no WRC, dando origem a impressionantes desempenhos como o de Sarrazin no rali da Catalunha deste ano.

Monday, December 06, 2004

Sunday, December 05, 2004

O pendura


É ao lado do volante, com o caderno nas mãos que muitos pilotos frustrados conseguem chegar próximo do sonho de infância, o desporto automóvel e os ralis.
Co-piloto ou também conhecido por navegador, pendura, lastro, o que vai no lugar do morto, representa a, tantas vezes, ingrata função de navegar o piloto durante uma prova de rali. Navegar significa orientar o piloto através do itinerário de prova, na gíria, “cantar” as notas que antecipam a descrição da estrada, alertam perigos, desenham trajetórias e impõem ritmo e velocidade. Cada equipa utiliza o seu código de notas estabelecendo uma comunicação muito própria, alheia e estranha ao público em geral, menos conhecedor destas andanças. Existem pilotos que gostam de ouvir as notas em tom elevado e com algum ritmo, mantendo uma certa cadência, exigindo no entanto uma maior cumplicidade entre piloto e navegador, num estilo observável em equipas rotinadas e com muitos quilómetros em conjunto. Outros há, que preferem um tom mais pausado, quase relaxado, num estilo mais universal, menos personalizado, acessível desde o início, de aprendizagem rápida.
Das boas equipas diz-se que o piloto é cego e guia só de ouvido, ao som das notas do seu navegador, servindo este de catalisador ao virtuosismo do primeiro, quantas vezes motivando para um andamento mais rápido e outras abrandando, servindo de contrapeso à impetuosidade do condutor.
Ao co-piloto, exige-se que mantenha uma concentração inabalável, que não se atrase nem se adiante, com uma dicção de locutor e bom senso de ancião conduza o piloto até à vitória. Quando esta acontece, de forma ingrata, o mérito pertence só a quem leva o volante, parecendo que vai sozinho dentro do carro, como se por milagre pudesse conhecer todas as curvas de todos os ralis, conduzindo com a máxima certeza e confiança, como se do caminho de casa se tratasse. Em prova, ambos conhecem as suas indispensáveis funções e enquanto o piloto é destreza e virtuosismo, ao qual tudo se aplaude e se perdoa, o navegador é a constante angústia do erro, ao qual não passará sem o habitual adjectivo de “lastro” ou sem o comentário “…só vais a fazer peso”, de nada valendo as intermináveis horas a passar cadernos de notas ou o trabalho invisível, da burocracia, da organização dos meios, marcações de hotel, inscrições, verificações, horários, ..., enfim tudo pela paixão pelos ralis.