Thursday, March 09, 2006

Só pode ser por paixão


Com a actual situação económica do país a adicionar à inexistente promoção do desporto automóvel, pode-se dizer que a actual lista de participanetes nos ralis em Portugal só se justifica por uma paixão assolapada dos pilotos por este desporto. Se não for por isso é de certeza por outro qualquer sentimento mais emocional do que racional, pois os investimentos feitos, dificilmente se pagarão enquanto se mantiver esta forma de actuar, por parte da federação e dos promotores das diversas provas. Seja como for, é de louvar e motivo de louco regozijo, ver a quantidade de boas máquinas presentes à partida de mais um Rali de Portugal. Perde-se a conta aos inúmeros Mitsubishis presentes, este ano com forte concorrência dos belos Subarus Spec C, muitos deles com preparações de bom nível, colmatando de certa forma a ausência das equipas oficiais na luta pelos primeiros lugares. O que é facto é que esta situação de termos equipas oficiais sem carros para andarem à frente, pelo menos nos ralis de terra, aguçou a esperança de bons resultados a muitos privados, que assim decidiram deitar mão a melhores armas.
O que se julgava um ano de crise, está-se a transformar num campeonato que tendo em consideração a nossa dimenção, faz inveja a muito país por essa europa fora.

Monday, March 06, 2006

Do stand para as pistas


Há quem diga que talvez um dia, esta moto derivada da competição de MOTO GP, será produzida para ser conduzida numa qualquer rua deste mundo, criando assim a moto mais superdesportiva de sempre nas estradas, pelo menos até os Japoneses decidirem fazer uma cópia melhorada, como sempre. Enquanto isso não acontece, assistimos a um fenómeno oposto, muito mais interessante, que é ver motos que foram desenhadas para o comum dos mortais comprar no comum dos stands e conduzir em estradas comuns, serem preparadas e correrem naquele que é já à mais de quinze anos o mais espectacular campeonato mundial de motociclismo. Aqui vêmos motos quase do dia-a-dia serem conduzidas nos limites, podendo comparar sempre com algo que podemos ter na nossa garagem.
Aqui a essência da velocidade provém de motos que foram feitas a pensar nos utilizadores, pelo que para ganharem nas pistas têm que ser boas motos nas estradas, ao contrário das MOTO GP, apenas super motos para super pilotos.
E o que gosto mais nisto tudo é que ganha quase sempre uma Ducati.

Thursday, March 02, 2006

A verdade de Peres


O Fernando Peres é um dos pilotos que admiro, não só pela forma como o vejo conduzir à 15 anos mas pela forma de estar nos ralis e pela maneira frontal como fala deste desporto de que tanto gosta. Que ninguém tenha dúvidas acerca do valor deste piloto nem do que ele dá e já deu aos ralis. O link que está abaixo refere-se a uma crónica escrita antes da vergonhosa realização do Rali Casino da Póvoa 2006. E como ele tinha e tem razão...

Friday, February 24, 2006

De novo a loucura dos ralis


Promete, o começo de mais um Campeonato Nacional de Ralis, com uma lista de inscritos bastante completa e com carros e pilotos que certamente proporcionarão um bom espectáculo para o público. Julgo que esta nova leva de carros de grupo N vai favorecer muito o campeonato deste ano, não deixando no entanto de ser curioso ver vários pilotos privados a andarem sistematicamente à frente das equipas oficiais que estarão em prova com carros S1600. Quem decide a participação e atribui os orçamentos a estas equipas não poderá deixar de se questionar acerca desta situação, no mínimo caricata. No fundo acho que a tendência natural dos ralis nos vários campeonatos nacionais, passa pelas viaturas de grupo N e se a federação, em vez de andar sistematicamente a inventar novas e dispendiosas fórmulas, pegasse no que já existe, os carros de grupo N quatro rodas motrizes, e permitisse que estes pesassem menos cem quilos, criava condições para que carros saídos do stand com alguma preparação fossem bastante performantes e espectaculares, mantendo a fiabilidade e os custos controlados que lhes são reconhecidos agora.

Thursday, February 23, 2006

Corridas para o povo


Li uma crónica, escrita por João Carlos Costa, em que este defendia uma revitalização do desporto automóvel em Portugal, através da criação de corridas que estivessem diponíveis ao normal do aficionados e não apenas a uma elite endinheirada. Para tal seguia o exemplo das corridas "Solo", nos EUA, em que qualquer um pode correr com o carro do dia-a-dia, em pistas desenhadas nos parques de estacionamento das grandes superfícies comerciais. Concordo com a ideia fundamental de criar um desporto automóvel para todos, não apenas grandes campeonaos nacionais para grandes massas e grandes patrocinadores, mas também para pessoas que gostavam de experimentar as sensações de um piloto de automóveis, mas sem os meios ou as pretenções das equipas profissionais. Em Portugal existem dezenas de provas de futebol amador, apenas para quem gosta de praticar este desporto pelo desporto.
Julgo que tivemos um bom exemplo entre nós, o reeditado troféu Datsun 1200 mas podemos fazer ainda melhor, bastando olhar para o que se passa nos EUA ou noutro país qualquer, muito especialmente do berço do desporto automóvel, Inglaterra, onde existem provas e classes para todos os carros, pilotos e aficionados, onde esta ideia é levada ao extremo em casos como este em que o mais improvável dos veículos passa a bólide de competição, neste caso um Ford Anglia.

Monday, February 20, 2006

Corridas como antigamente


Um dia destes voltei a ver uma prova do A1GP, desta feita disputada na Indonésia. Novamente uma boa corrida de carros, completamente fora dos vulgares e actuais tempos das monótonas provas de velocidade. Esta corrida teve ultrapassagens com fartura, disputa de lugares do início ao fim, emoção e incerteza até à bandeira de xadrez. Tudo o que já não vêmos à muito tempo numa prova de F1, julgo que à tanto tempo que até já o público de desabituou de tanta emoção. Confesso que tive que me readaptar para seguir o ritmo infernal a que estava a assistir e julgo que mesmo os comentadores não estão habituados a corridas tão boas, pelo que os comentários estavam sempres desfasados no tempo, tal era a velocidade dos acontecimentos.
Como surgiu esta bem sucedida fórmula? Aplicada por um xeque qualquer com muito dinheiro, que à partida não estaria tão bem posicionado como os os velhos guardiões do conhecimento que pululam no velho continente e em especial nos gabinetes da FIA.
De certo que existem muitos motivos que expliquem o sucesso, mas à vista saltam imediatamente os carros que proporcionam aquele esspectáculo e na construção destes carros vejo soluções bastante simples, à muito anunciadas para revolucionar a F1 mas que ninguém levou à prática. Pouca carga aerodinãmica e uns bons e largos pneus slicks, ou seja, reduzido "grip" aerodinãmico e elevado "grip" mecânico, permitindo que os carros andem colados uns aos outros e assim facilitando as ultrapassagens, até com mais segurança.

Friday, February 10, 2006

Bela participação feminina


Nem de propósito, acerca das mulheres, do desporto automóvel e do marketing, circula por aí uma bela compilação de fotos com a envolvência das mulheres e dos carros de corridas segundo uma perspectiva mais lúdica, mas de belo efeito e bastante agradável.

Wednesday, February 08, 2006

Diana Pereira


Será sempre de louvar neste espaço a participação do belo sexo no desporto automóvel. No entanto, a inscrição de Diana Pereira no Desafio Peugeot 206, deixa-me algumas reticências. Se por um lado se trata de uma boa jogada de marketing, atraindo para a competição a publicidade e os media tantas vezes ansiados, por outro penso que é menos um bom volante disponível para quem de facto queira competir. Se por um lado a participação de uma mulher é sempre salutar e necessária num desporto quase totalmente povoado por homens, por outro lado vejo a participação da modelo como puramente artificial, de alguém que nunca teve qualquer ligação ao desporto automóvel, parecendo que está nisto apenas por mais uns cobres, pouco importada na real competição, manchando muito provavelmente a imagem que outras esforçadas mulheres lentamente vão construindo, que também podem ser competitivas e que este desporto não é só para homens.
Seja como for, o principal objectivo da Sucursal com esta iniciativa, está já atingido.

Thursday, February 02, 2006

Não é só chapa


Bem sei que quando ninguém se aleija é natural dizer-se que é só chapa, nenhum mal vem ao mundo. Um acidente com Ferrari é como com outro outro automóvel qualquer, só que não se pode dizer que seja só chapa, porque um automóvel destes não é feito como os outros. Trata-se não só de um meio de transporte, mas também de obra de arte da tecnologia moderna, da mesma maneira como o Range Rover figurou no Louvre, como símbolo de um tipo de arte, qualquer Ferrari cumpria esse papel de forma superior. Ainda por cima há muitos que são feitos em séries bastante limitadas, sendo quase impossíveis de reconstruir, após alguns anos.
Quanto a mim, considero que chapa é chapa, seja vermelha ou doutra cor qualquer, agora que custa mais ver um destes estampados, lá isso é verdade. Conduzam com cuidado.

Friday, January 27, 2006

Ford RS 200 - the ultimate machine


Quando este carro foi lançado no Campeonato do Mundo de Ralis, julgo que em 86, foi temido e admirado por todos como a máquina suprema, que iria dar à Ford o título tão desejado. O carro era, de facto, uma das máquinas mais impressionantes que já se viu no mundo dos ralis, construído de raiz para vencer, 450 CVs, motor em posição central, chassis tubular, carroçaria em fibra, tracção às quatro e por aí fora. Mas desenganem-se, mais uma vez, a Ford lançou o carro perfeito na altura errada. Este carro encerra uma era de belas máquinas, que seriam banidas após o trágico acidente de Joaquim Santos, no rali de Portugal de 86, precisamente a estrear-se aos comandos da máquina infernal da Ford. Estes carros eram demasiado rápidos, pelo que viriam a ser banidos das competições, esgotando-se assim a participação do RS200, após apenas três provas no Campeonato do Mundo. Ficou assim por saber se este carro seria tão bom nas corridas como no papel e se era desta que a Ford ganhava o caneco. Na foto vê-se Malcolm Wilson, hoje director desportivo da Ford no Mundial, aflito para controlar esta besta de potência. Diga-se de passagem que ele era tão pézudo que teria dificuldade em controlar qualquer coisa com mais potência que um Ford Anglia.

Thursday, January 26, 2006

TT nos States


O desporto automóvel nos Estados Unidos da América, é na esmagadora maioria, mais um espectáculo do que um desporto, pois para proporcionar ao espectador o maior retorno possível, pela compra do bilhete, o conceito de desporto é bastante sacrificado. No entanto, existe por aquelas bandas algo que congrega com o espectáculo, muito do que na Europa gostamos de ver numa corrida de automóveis, a velocidade e a destreza dos pilotos em condições de condução imprevisíveis, como as existentes numa corrida com mil milhas de extensão em todo o terreno. É assim a famosa Baja 1000, que se desenrola ao longo do golfo da Califórnia, em viaturas de construção espectacular, valendo quase tudo, desde chassis tubulares, potentes motores V8 de cilindrada quase ilimitada, suspensões com cursos impossíveis, tudo isto mascarado por uns painéis de fibra de forma a tentar parecer-se com um automóvel, normalmente uma Pick-up.
Ninguém ficou indiferente à participação de Robby Gordon no Dakar deste ano, com uma destas viaturas, uma aberração ao pé nos padrões Europeus, mas espectacular de ver correr, causando o delírio do público mas ao mesmo tempo suficientemente rápida, para andar entre os vinte mais rápidos do Dakar. Esta é uma vertente do desporto automóvel que admiro e onde na Europa ainda se pode evoluir muito, provas de TT rápidas onde se anda completamente a fundo do início ao fim.

Wednesday, January 25, 2006

A beleza do Monte Carlo


Os acessos são impossíveis, as ligações um caos, o público insubordinado e por aí fora. O Monte Carlo pode ter muitos problemas que em qualquer outro sítio ditariam a sua saída imediata do calendário do Campeonato do Mundo, mas persiste e persiste e vai persistir enquanto houver ralis. Porquê? Porque é uma daquelas provas míticas, disputadas em consdições únicas, como o GP do Mónaco ou as 500 milhas de Indianápolis, é uma prova que está no imaginário do desporto automóvel e isso vale muito. Para além disso fornece as melhores fotos do ano.

Saturday, January 21, 2006

Vatanen outra vez.


Não é a primeira vez que escrevo acerca de Ari Vatanen, apesar do agora deputado no parlamento europeu, já quase nada fazer em termos de desporto automóvel.
A nova ferramenta do Google, a pesquisa de videos, fez-me relembrar esse incrível piloto, para mim um dos maiores de todos os tempos. Para além dos títulos e das vitórias em tudo o participou, é um daqueles pilotos que sempre aliou a rapidez à beleza e espectacularidade da condução, proporcionando, ainda hoje, das mais belas filmagens acerca do desporto automóvel.
Deixo aqui dois links, um para o mítico filme da subida em "Pikes Peak" e outro um pequeno tributo à sua carreira nos ralis.
Tributo:

Friday, January 20, 2006

O ano da Ford?


Todos anos a mesma história, a Ford e a vitória no mundial, que já não consegue à mais de vinte anos.
Sempre com uma aposta muito forte, normalmente participando com um carro competitivo, muitas vezes considerado como o melhor, por uma ou outra razão o título escapa sempre à marca do oval azul.
Este ano parece novamente a equipa favorita, um carro feito à medida do novo regulamento, um piloto com provas dadas, Gronholm que joga a cartada decisiva da sua carreira, e uma concorrência num nível como não se via à muitos anos, em tão baixo nível.
Quanto a mim só existe um senão que pode inquinar novamamente as pretenções da equipa, desta e de qualquer outra, chama-se Sebastien Loeb. Apesar de este ano o Francês não ter, aparentemente, uma viatura ao mais alto nível, julgo que vai ser novamente o grande protagonista da temporada. Hoje, no Rali de Monte Carlo, ficou fora de combate, deixando o Ford de Gronholm, na frente da corrida. A ver vamos no desenrolar das próximas provas, num campeonato que vai ter como pólo de interesse a luta de todos os outros contra Loeb. Eu vou torcer pela Ford, tal como nos últimos anos.

Thursday, January 19, 2006

Do deserto para a neve


Depois das temperaturas tórridas do Lisboa-Dakar, o desporto automóvel ao mais alto nível desloca-se para temperaturas bastante mais baixas, na prova que marca o arranque do mundial de ralis, o Rali de Monte-Carlo.
Depois de uma prova onde se anda a poupar a mecânica e o físico do princípio ao fim e onde terminar já é uma vitória, vamos para uma prova onde é andar a fundo do princípio ao fim e onde só o vencedor é lembrado. Dos lugares decididos por minutos, passamos para as décimas de segundo, ah, já tinha saudades.

Sunday, January 15, 2006

A neve e os nórdicos


O IP4 foi encerrado devido a forte nevão que se fez sentir naquela zona.
O desporto automóvel é povoado, de uma forma geral, por pilotos nórdicos, estando a Filândia para as corridas de carros como o Brasil para o futebol.
Nós por cá encerramos tudo e paramos em pânico com uns milímetros de neve, eles vivem metade do ano com vários centímetros. A terem que conduzir com condições tão precárias de aderência, aos poucos lá se vão desenvolvendo aquelas aptidões de condução, parecendo inatas, tal a naturalidade, tornando uma ida ao supermercado num autêntico treino de nível mundial.

Luc Alphand - Dos Alpes para o Sahara


À uns anos atrás andava este rapaz pista abaixo, pista acima, com um par de skis nos pés e equipamento para o frio, era então campeão do mundo de ski. Quem se lembra dele diz que nessa altura era impressionante a forma e velocidade como consumia kms de neve. Hoje ganhou o Dakar, esse marco do desporto automóvel e de certa forma, tb dos nossos tempos. Alguns podem dizer que os Mitsubishis dão para tudo, até para quem só sabe andar de ski, o que só em parte deve ser considerado. Os Mitsu dão para tudo, de facto, mas não andam sózinhos e temos que dar o mérito a quem consegue, mesmo na melhor das montadas, ultrapassar as agruras do deserto e chegar à frente de muitos que têm muitas vezes mais kms ao volante que o simpático ex-esquiador.

Saturday, January 14, 2006

Orgulho Nacional


Não só por serem Tugas mas porque de facto foram das boas surpresas da prova, Helder Rodrigues e Ruben Faria fizeram uma prova notável a todos os níveis, com o primeiro a acabar nos dez primeiros lugares e só não ganhando a sua classe, porque à frente dele fica um mais experiente e oficial piloto da invencível armada KTM.
Ficam aqui dois bons exemplos de dois pilotos que valem bem um maior apoio das entidades, deixêmo-nos de pensar só em Carlos Sousas e Tiagos Monteiros.

Tuesday, January 10, 2006

A prova mais bela


Num dia marcado pelo luto, quero lembrar algo de subliminar que só o Dakar nos dá de forma tão esmagadora. A beleza das imagens que o Dakar leva até nossas casas todos os anos, que tudo devem às magníficas paisagens Africanas, é avassaladora e devem servir também para nos lembrar daquele imenso continente, quase sempre esquecido. Em nenhum outro sítio, a congregação de um desporto e da paisagem natural resulta desta forma, tornando-a, na que considero ser a mais bela prova do mundo.