Sunday, February 06, 2011

Só não acontece a quem não...


Parece incrível que depois do brutal acidente que sofreu na Australia há dois ou três anos atrás, veja agora a sua carreira em sério risco devido a uma brincadeira num carro de ralis. Há quem diga que é o destino, outros dizem que quem brinca com o fogo queima-se. Provavelmente Robert Kubica estaria melhor numa qualquer estância balnear nas Caraíbas a preparar a temporada de F1. Assim não foi, o polaco sentou-se num carro de ralis e foi até Andorra onde acabou por se magoar a sério, com várias fracturas numa perna e uma mão muito mal tratada.

A vida é mesmo assim, existem aqueles que ficam no sofá e depois existem os outros, aqueles que não conseguem ficar à espera de nada, aqueles que serão para sempre lembrados.

Desejos sinceros de uma rápida e total recuperação.

Essência M



Há quanto tempo não aparecia um M tão perto da essência? Provavelmente este será o que mais perto está do E30 (antes, por lapso tinha escrito E36; obrigado sgdinis), se bem que o E46 ainda me enche as medidas todas.

Sunday, January 30, 2011

Típico Ayrton Senna



Ainda não saiu para os cinemas e já vence festivais, típico Ayrton Senna. O documentário deverá estrear junto a nós lá mais para o final da Primavera.

Thursday, January 27, 2011

Nada a dizer



Já me perguntaram acerca dos vencedores do Dakar 2011. Não falei aqui disso, aliás ultimamente isto tem andado um pouco parado, mas a razão pela qual não mencionei a vitória do Coma ou do Al-Attiyah, foi porque me pareceram duas vitórias absolutamente justas. Seriam igualmente naturais vencedores se estivéssemos a falar do Sainz ou do Després, pois estes quatro eram os melhores pilotos em prova e dos poucos que sabem conduzir.

O Nasser foi melhor que o Sainz e é para além deste o único piloto que sabe o que fazer com o volante. Não me venham falar do Peterhansel, pois é apenas um curioso da condução que navega muito bem. Para além de mais a BMW foi uma completa desilusão, no Dakar como em tudo o que é competição em que tem participado.

Pergunto só há quanto tempo não vemos um BMW ganhar uma competição mundial? A marca bávara entra em tudo o que é categoria do desporto motorizado, mas resultados nada.

Sunday, January 23, 2011

Sonhar em alemão



A revista EVO elegeu este ano o Porsche 911 GT3 RS como o carro do ano de 2010. Não é a eleição do carro alemão que me surpreendeu e que me faz aqui escrever. Para além da longa lista de supercarros, 911 GT2 e GT3 RS, Audi R8 V10 Spyder, Lotus Evora S, Lexus LFA, Lamborghini 570-4, Mercedes SLS AMG, Ford Focus RS500, Nissan GTR e Ferrari 458 Italia - ainda lá faltavam uns quantos como o Ferrari 599GTO, o Veyron Super Sport, o BMW M3 GTS e pelo menos um dos Zondas que saíram em 2010 - o que mais relevante me salta à vista é que de dez carros quatro são genuinamente alemães e outro, o Lamborghini, é quase um italiano naturalizado germânico. Dos outros cinco, dois são japoneses, um americano, um italiano e só um inglês. Sem dúvida, o mundo automóvel mudou muito nos últimos quarenta anos, da pátria das quatro rodas que era a Inglaterra já quase nada resta e são hoje os alemães que ditam as regras da maior indústria mundial.

A Alemanha, o maior exportador mundial em valor, detém hoje, de forma admirável, o destino do automóvel, não se limitando apenas a fazer carros fiáveis e robustos, pois também já produzem os sonhos de quatro rodas. Os ingleses mostraram-nos que os automóveis serviam para muito mais do que simples meios de transporte e ainda bem, mas hoje tudo isso acabou, por mais que nos custe, com raras excepções, são os alemães que nos fazem sonhar.

Saturday, January 08, 2011

Dakar é quase nosso



Penalizações à parte, a prestação dos motards portugueses no Dakar está a ser pura e simplesmente soberba. Sistematicamente nos cinco primeiros, a ganhar etapas, sempre no meio do protagonismo, tivemos até agora três pilotos, Rúben Faria o terceiro das KTM, Paulo Gonçalves o primeiro das BMW e Hélder Rodrigues o primeiro das Yamaha, ao mais alto nível.

Não consigo deixar de pensar no que terá originado tal avalanche de pilotos lusos e só pode mesmo ter sido o facto das edições do Dakar realizadas em Portugal terem tornado esta numa prova muito popular entre nós.

Quantidade já temos, agora só falta mesmo ter um vencedor entre nós. Després e Coma parecem inantingíveis, mas depois do que vi ontem da prova do Hélder Rodrigues, acho que será só uma questão de tempo. Até ontem, a imagem comum de um piloto luso no deserto era sempre de esperar por alguém, tal a sua incapacidade de navegar a solo. Rapidez nunca lhes faltou, mas andar de moto, olhar para o road-book e GPS ao mesmo tempo era algo demasiado complicado. Ontem o Hélder chegou-se aos primeiros, olhou para a frente e arrancou, seguindo sozinho, à frente de tudo e todos, navegando imaculadamente durante duzentos quilómetros, até chegar à meta isolado. É só uma questão de tempo.



Sunday, January 02, 2011

Paris Hilton no mundial de 125cc



Por vezes encontramos patrocínios absolutamente fora do normal, que o diga o Randy de Puniet que andou provavelmente com o melhor patrocínio do mundo, o da revista Playboy.

Agora aparece a Paris Hilton a patrocinar uma equipa do mundial de 125cc. Parece-me um pouco demais, demasiado rebuscado.

Saturday, January 01, 2011

Está aí mais uma edição do "quase" Dakar



Quem experimentou o "velho" Dakar africano e agora este "novo" sul-americano, diz que quase não se dá pela diferença, que a prova agora é quase igual à africana, a sua grandiosidade é quase a mesma.

O meu problema com este Dakar é mesmo isso, o "quase". Quase gosto dele agora como gostava do antigo.

O "meu" Dakar não é quase a expressão máxima do desporto motorizado, não é quase a mais bela corrida do mundo. O "meu" Dakar é(!) isso tudo e muito mais.

À beira do começo de mais uma edição sul-americana, os votos que faço é para que regresse rapidamente à origem, ao continente africano, que acabe mesmo em Dakar e no seu lago rosa.

Salvem o Ring?



Não acredito muito nestas campanhas de solidariedade virtuais, mas como o Ring habita um lugar especial no imaginário de todos nós, não será por falta de destaque neste espaço que sairá prejudicado de qualquer forma. Aqui fica o link para a campanha "Save the Nurburgring".

Eu observei por duas vezes a, agora tão criticada, megalomania que se criou à volta do Inferno Verde e não posso negar que me questionei sobre a sustentabilidade de tudo aquilo, mas por outro lado, como apaixonado que sou, quis sempre acreditar que a paixão pela velocidade poderia ser por uma vez grandiosa e rentável. Para além do mítico circuito qualquer um se impressiona com o que se criou à volta deste, mas tratando-se de um investimento público de um país como a Alemanha nunca imaginei que se estivessem a meter num buraco tão grande. Pelo que li, parece mais que estão a falar dos investimentos públicos portugueses.

Sinceramente, acho que mais do que petições na internet, a melhor maneira de ajudar o Ring é juntar uns trocos - se compararmos com o que pedem para se andar num carro decente no Autódromo de Portimão, estamos mesmo a falar de trocos - e ir até lá derreter um bocado de borracha e queimar uns litros valentes de gasolina. O divertimento é garantido.

Friday, December 24, 2010

A minha vida dava um anúncio automóvel - Renaul Twingo



A única razão para este anúncio figurar é porque parece que foi banido em Itália. Não o acho assim tão genial nem tão pouco provocante.

Monday, December 13, 2010

Vale a pena colocar



Já tive uns quantos acidentes de automóvel, alguns bem aparatosos, mas nunca me aleijei. Poderia dizer que tive sorte, tive certamente. A sorte também somos nós que a fazemos e a minha começou a ser feita no momento em que coloquei o cinto de segurança. Vale a pena.

Sunday, December 12, 2010

Quase inacreditável


Para aí há uns cinco anos vi o Kovalainen chegar à ROC e zupar tudo e todos. Na altura não conhecia o finlandês e louvei-o aqui como se de um novo astro do volante se tratasse. Na altura fiquei impressionado com um piloto de velocidade a ganhar um evento onde os pilotos de ralis teriam, teoricamente, vantagem - não será assim tanta teoria se pensarmos que o Loeb foi quem mais vezes ganhou.

Na edição deste ano, por mais incrédulo que eu e que os comentadores estivéssemos, foi um piloto luso a ganhar a "Corrida dos Campões". Não sei bem de que competição relevante é que o Filipe Albuquerque foi campeão, para que marcasse presença nesta corrida de campeões, mas o que fica para a história é que ganhou a competição deixando para trás o campeão do mundo de F1, Seb Vettel e o campeão do mundo de ralis, o extra-terrestre Seb Loeb.

Quem presta atenção a esta coisa dos automóveis sabia que o Filipe não era nenhum pézudo, mas andar da forma como andou certamente que ninguém estava à espera - acho que nem ele.

Não sei o que isto poderá significar para uma carreira que se começava a apagar, mas pelo menos uma oportunidade merece ser dada ao piloto de Coimbra.

Inacreditavelmente impressionante.

Sunday, November 28, 2010

Cidade Maravilhosa



Nos últimos dias só nos chegam imagens de tropas de elite a invadirem favelas no Rio de Janeiro. O filme mostra algo completamente diferente para se fazer na cidade maravilhosa.

Wednesday, November 24, 2010

MV Agusta F3 - Beleza Pura



Se os carros são cada vez mais parecidos uns com os outros, as motos parecem-se quase todas iguais. Doze anos depois a MV Agusta volta a ser uma pedrada no charco. A nova tricilíndrica F3 é a beleza da criação do homem no seu estado mais puro.

Sunday, November 21, 2010

Ao fim de uma semana



Ok, passou uma semana, acho que já consigo escrever qualquer coisa.

Como é que é possível perder um campeonato daquela forma? Mau demais para racionalizar. Infelizmente a Ferrari tem-nos habituado a este tipo de cenas patéticas.

Não que o Vettel esteja mal no papel de campeão do mundo, apenas é demasiado cedo. O miúdo alemão tem pinta de campeão, mas num ano em que cometeu erros tão idiotas, em que pareceu não saber fazer uma ultrapassagem, não era certamente o campeão que eu escolhia.

Se pudesse escolher, o campeão deste ano seria o Webber. Porque sim. Por tudo. Pela maturidade, pela forma de estar, de conduzir, de lutar, contra tudo, por ter sido quase sempre o mais inteligente, era o meu campeão. Teve um final de época menos bom, é verdade, nunca se superou e acabou sempre longe da vitória. Não tenho, no entanto, dúvidas que com uma equipa a puxar por ele, mais ou menos como a Ferrari puxou pelo Alonso - se calhar foi o Alonso a puxar pela Ferrari - a partir do meio da época, com toda a gente concentrada nele, tinha sido o campeão.

Assim não aconteceu, a Red Bull nunca escolheu um piloto e não os censuro. Não quero dizer que concordo, se a equipa fosse minha tinha de certeza escolhido um primeiro piloto. A meio do ano vaticinei que quem assim não o fizesse perderia o campeonato, assim dizia também a história. Enganei-me, uma equipa de bebidas esquisitas conseguiu mais uma vez o mais improvável. Têm mérito por isso, todo o mérito.

Em jeito de balanço, há que dizer que o campeonato foi espectacular, precisava de outro post só para enumerar os motivos de interesse. Que ninguém diga que a F1 é enfadonha, é porque não viram nenhuma corrida este ano. Que desporto fantástico.

Thursday, November 11, 2010

Só o ACP faz alguma coisa


Já aqui afirmei que gosto do meu presidente, Carlos Barbosa. É um tipo coerente, que foi eleito para o maior clube de Portugal, o ACP, com a missão de defender o automobilista. É isso que tem feito.

Que a GALP nos anda a vilipendiar há muito, todos nós sabemos. Que a autoridade da concorrência é uma agência inócua e estéril, também não é segredo para ninguém, por isso o ACP decidiu investigar a nova gasolina "low cost" da GALP, para ver em que é que esta era diferente da outra, a "high cost". A GALP anunciava que a gasolina mais barata tinha menos qualidade que a outra.

Para ver se a gasolineira dizia a verdade e perante a apatia da autoridade da concorrência, o ACP decidiu enviar amostras das gasolinas da GALP para um laboratório, afim de se determinarem as diferenças. Resultado: são ambas iguais, i.e., têm o mesmo tipo de aditivação. O que é que isto significa?

Significa que a GALP nos anda a enganar no preço da gasolina, já que onde tem realmente concorrência vende gasolina, exactamente igual, a um preço muito mais baixo.

O que é que a GALP tem a dizer? Nada, apenas que vai processar o ACP.

Proposta: deixar de abastecer nos postos da gasolineira portuguesa.

Esta proposta não vai resultar em nada, mas pelo menos não somos coniventes com este logro imoral ao automobilista.

Thursday, November 04, 2010

Momentos de Antologia - 2010 V8 Supercars Gold Coast Race2



Não sou o maior dos fãs do campeonato de V8s australianos, mas corridas de carros são corridas de carros e estes últimos dez minutos de corrida são alucinantes. De antologia.

Sunday, October 31, 2010

Orgulho Luso



Tenho recebido alguns e-mails sobre o facto de não ter falado deste ou daquele feito português no mundo do automobilismo. Este espaço tem uma política editorial muito própria, basicamente escrevo aquilo que me apetece, mas hoje tive um acumular de orgulho luso.

Filipe Campos, o mais recente campeão nacional, novamente um dos mais merecidos de sempre. Não é por agora andar com um X3 que tenho um prazer especial em ver este piloto vencer, este regozijo vem de há muito, desde a primeira vez que o vi correr. O Filipe Campos é, muito provavelmente, o melhor piloto de TT que até hoje tivemos, por pouco não passou ao lado de uma grande carreira e hoje recolhe os louros de alguém que é especialmente dotado para aquilo que faz. Não faço ideia o que será a YSER, mas abençoada hora que decidiu colocar alguém que sabia o que fazer com a "argola" dentro do BMW X3. Pena é, se esta senda vitoriosa não tiver hipótese de vingar também lá fora.

PS-TT: hoje também foi coroado em Portalegre, numa prova à antiga, o polaco Holowczyc, já anteriormente agraciado com o título de campeão europeu de ralis, assim como o Filipe, um dos pilotos que me ficou na memória depois de o ter visto andar. Pilotaço.

Pedro Lamy e João Barbosa. O primeiro é o melhor piloto de circuitos que já formámos neste pequeno país. O segundo é um daqueles exemplos dos quais nos devemos orgulhar, orgulho luso. João Barbosa é um grande piloto, mas como muitos outros, que incrivelmente ainda criamos no nosso paupérrimo panorama motorizado, viu-se sozinho e sem apoios, tendo que fazer pela vida, mesmo que isso significasse abandonar a tradicional carreira automobilística no velho continente. Arregaçou mangas, fez-se à estrada e passados para aí uns dez anos, é piloto conceituado não só nos EUA como por esse mundo fora onde houver uma corrida de GTs. Nas terras do tio Sam, estes dois pilotos nacionais são conhecidos como a nata da arte da condução, são portugueses e devem encher-nos de orgulho por isso.

Miguel Oliveira. Custa-me até falar do nosso Rossi, de já tantas vezes ter aqui louvado os seus dotes. Parece que para o ano terá um contrato para correr no mundial de 125cc. Não me surpreende. A quase todos os pilotos nacionais é exigido algo a mais que aos outros para poderem competir contra os melhores do mundo. O Miguel Oliveira e o pai tiveram que fazer sacrifícios para estarem onde estão hoje, mas sempre soube que um talento daqueles acabaria por ser recompensado. Não estamos a falar de um piloto com jeito para a coisa, estamos a falar de um sobredotado. Se tiver sorte com a equipa e se conseguir ultrapassar as mudanças que a puberdade sempre trazem, que ninguém tenha dúvidas que estamos a olhar para um piloto com potencial para chegar ao MotoGP e fazer boa figura. Disse o mesmo do Parente e não me enganei muito.

Por falar em Álvaro Parente, nem vou falar muito dele. É o piloto que sempre prometeu ser, em todos os aspectos. Dá gosto vê-lo correr, seguro, sem peneiras, terra-a-terra, robusto e virtuoso. Provavelmente nunca chegará à F1, mas isso é só culpa de de todos os outros, porque ele fez e continua a fazer tudo o que humanamente poderia ser exigido.

Bernardo Sousa. Vi-o correr há duas semanas, em Mortágua e não gostei. Estava, muito provavelmente condicionado pela necessidade de conquistar o título nacional, mas mesmo assim já vi muito melhor ao madeirense. Senti falta da fogosidade, da loucura, da vertigem com que ele brindava o público a cada passagem. De qualquer das maneiras, os parabéns pelo título. Em especial a ti, Rodrigues da Silva, por mais uma conquista.

Achei piada ao Pascoal dizer que com o Ford Fiesta S2000 também teria sido campeão. Não que não haja ali um fundo de plausibilidade, mas se eu ou qualquer um de vocês tivesse a mesma afirmação, também não seria menos verdade.

Somos um país pequeno, com condições pouco mais que sofríveis, com uma federação ao nível de um país como a Libéria ou Burkina Faso. Somos pouco mais de dez milhões, sem dinheiro, formação, ou qualquer outro factor que pudesse justificar o que quer que fosse no panorama motorizado mundial e no entanto, lá estamos nós, a dar cartas, a exigir respeito pelos feitos conquistados. Não é só de José Mourinhos e de Cristiano Ronaldos que este país tem que se orgulhar, também temos Lamys, Barbosas, Araújos, Parentes, Felix da Costa e muitos mais que nos dizem com muitas letras que, somos capazes.