Sunday, April 10, 2011

Auto-rádio, por favor.



É impressionante, a velocidade com que muda a percepção sobre o que deve ser um automóvel.

Infelizmente para nós, Tugas, não trocamos de automóvel tantas vezes como gostaríamos. O dia em que o fazemos é sempre especial, pois sabemos que irão passar largos anos sem que voltemos a sentir aquela sensação. Como tal, o momento em que estacionamos em frente ao café lá do bairro e mostramos a viatura à rapaziada pela primeira vez, faz parte do ritual e convém ser bem preparado. Memorizam-se detalhes, histórias sobre a compra, inflaciona-se o preço e por aí fora; da mesma forma, hoje em dia, como se fazia há vinte anos atrás. A diferença toda está na reacção da malta, nos comentários, nas perguntas.

O maluco dos computadores pergunta se "Tem sensores de estacionamento? E navegação? Tem sensor de chuva? Disco rígido?", logo de seguida o melómano pergunta "USB? Dá para ligar o iPod?", a que se junta o tipo da auto-estrada "Tem Cruise-control? ACC? Run-flat? Tem bancos aquecidos? Regulação eléctrica? Porta-copos?", mais o pai de família "Isofix? Como é a mala? DVD?". No final, para arrasar, em uníssono, "Qual é o consumo?".

Eu ainda suportava o "Tem ABS? E airbag? Direcção assistida? Vidros eléctricos?", mas isso foi há mais de dez anos atrás. O que aconteceu ao "Quantos cavalos tem? Bancos desportivos? E a suspensão?", "Como são os travões? Curva bem?", "A caixa? É curtinha?", "Tem autoblocante?", "Quanto pesam as jantes?", "Quanto é que dá?" ...

Esqueçam (!), hoje um carro é definido pelos gadgets, pelo número de botões e LCDs que tem no interior. O máximo que vos podem perguntar sobre as capacidades dinâmicas e de condução é se é confortável. Comprar um carro por ser confortável é como casar com uma mulher por ela ser pontual - talvez mude de ideias no futuro, quando tiver oitenta anos.

As marcas agem em conformidade, com listas de equipamento do tamanho das páginas amarelas. Cá para mim, a única cruz que não me esqueço de fazer numa lista de extras é no auto-rádio, quase tudo o resto é frescura.

A tradição M



A BMW abandonou os motores atmosféricos nos seus modelos mais desportivos, mas parece que foi só isso que mudou lá para os lados de Munique. Com o lançamento do novo M5 podemos concluir que a tradição mantém-se.

Wednesday, April 06, 2011

Não é a chuteira que faz o jogador



Típica sarda de quem não sabe o que tem debaixo do pé direito.

Tuesday, March 29, 2011

Belíssimo Rali


Três dias de Rali de Portugal, uma farturinha de carros, bifanas, minis e muito pó.

Gostei muito do Petter Solberg, pouco do irmão, assim-assim do Hirvonen e do Latvala, o habitual do Loeb, um pouco mais do Ogier, absolutamente nada do Daniel Oliveira, bastante do Kimi, o Wilson não aquece nem arrefece, o Armindo aqueceu bastante o público, o Mini nem por isso, o Bernardo sempre ao rubro... até bater, o Peugeot do Bruno não dá para mais, o Moura também não; o Kimi zupou o Villagra, o Ogier zupou o Loeb, a Ford não zupou ninguém e o Solberg (Petter) merecia zupar toda a gente. O público esteve bem, a organização também, grande ideia a dos Jerónimos, a malta da capital já não sabia o que eram automóveis a sério.

Em resumo, mais uma grande prova de automobilismo, de primeiro nível mundial, aqui, já ali no Allgarve, bem perto de nós.

Tuesday, March 22, 2011

Ano difícil, o mais difícil de sempre



Este é de longe o mais difícil ano da carreira do Rossi.

Pela primeira vez tem concorrência à altura, Stoner e Pedrosa em Honda e Lorenzo em Yamaha.

Tem que transformar um cavalo indomável como a Ducati em algo que consiga curvar e que não seja só um míssil balístico em recta.

Não tem um colega de equipa que possa desenvolver a mota com ele.

A Ducati não tem um orçamento infinito para desenvolver a moto.

Os tiffosi não estão todos do lado dele, já que a Ducati teve que acabar com a mítica equipa de SBK para financiar o salário do Rossi.

Já não tem vinte anos e o físico começa-se a ressentir - é dos pilotos que mais exige dos ombros já que poucos tiram tanta vantagem da travagem como ele.

Por tudo isto, se ele conseguir vencer um campeonato com a equipa transalpina, fica determinantemente provado que é o melhor piloto de todos os tempos.

Tuesday, March 08, 2011

Pornografia de duas rodas



Vyrus M2!

Pornografia Auto



É isto que se espera de um supercarro, fantasia, loucura, exagero, pornografia.

Sunday, February 27, 2011

O aspirador, a Bimby, a lavadora e o George Clooney



Abençoadas oportunidades profissionais que nas últimas semanas me têm permitido experimentar algumas máquinas de quatro rodas absolutamente invulgares. Escrevo apenas sobre as viaturas a gasolina, pois ao pé destas tudo o resto pertencia à categoria de veículos agrícolas.

Não foram tão poucos como isso os quilómetros que fiz a bordo de um Mercedes E63 AMG Station, de um Mercedes SLS, de um BMW X6 Hybrid e de um Mini Countryman.

O SLS AMG é impressionante, não só pela aceleração, mas muito mais pela forma soberba como trava. Estável, seguro, irrepreensível em desaceleração, característica muito apreciada por quem não tem coração para máquinas que ultrapassam a marca dos 300km/h. O carro é bonito, apesar de eu não ser grande fã de revivalismos, é uma máquina com um certo "appeal", principalmente quando se abrem as portas. Lá dentro surge a maior desilusão. Um super-carro deve levar-nos de volta para quanto tínhamos 7 anos. O SLS utiliza tudo o que são manípulos e botões de coisas como o Classe A. Esperava algo mais especial de um veículo desta estirpe. Tudo o resto foi soberbo. Trava, acelera e curva pra caraças. É até confortável, dentro do género, mas ficará sempre na minha memória por ser um autêntico aspirador de olhares e quiçá de miúdas com propensão para jogadores de futebol. Será esse o destino deste carro, para não dizer que é um dos propósitos da sua génese. Condutores pouco afoitos, que não querem mais do que dar nas vistas, muitas das vezes na crise de meia-idade, por forma a aspirarem alguém na casa dos vinte anos. Ah, quase me esquecia, a caixa foi tirada de um táxi.

Julgo que grande parte do motor do E63 AMG é partilhada com o SLS, pelo menos a sonoridade e os ráteres em desaceleração são semelhantes. Tirando isso, tudo o resto era quase normal, expectável. OK, a potência impressiona, mas a massa a deslocar é tão grande que não conseguimos deixar de sentir que aquilo tudo é um pouco exagerado. A carrinha tinha tudo o que se possa pedir num automóvel dos nossos dias, até o apoio dos bancos se adaptava consoante os Gs laterais. Tinha botões e gadgets que não cheguei a perceber para que é que serviam, mas no final do dia, tudo se resumia ao binário devastador do V8 e ao barulho do trovão que este emitia. Serviu para fazer uns burnouts e muitos donuts, passados 15 minutos já chega. Tanta coisa para tão pouco. Mais ou menos como dar os tais mil e tal euros pela Bimby para depois fazer granizados de limão e umas sopas para o bebé.

O BMW X6 Hybrid é uma viatura que ainda hoje não entendo. O X6 normal já é uma coisa estranha, mas este era ainda pior. Nada mais que um V8 absolutamente banal (parecia tirado de um Escalade ou qualquer outro SUV pachorrento das estrelas de hip-hop) associado a um motor eléctrico com a potência de um leitor de cassetes. Não percebi nada. Fez-me lembrar aquelas lavadoras de pressão caríssimas, que deitam água como as outras e que assim como estas, não evitam que tenhamos que esfregar o carro à mão.

Bem, para o final ficou aquela espécie de Mini a quem chamaram Coutryman, homem do campo. Não vale a pena escrever nada acerca deste aborto automóvel. De Mini só tem mesmo o nome, tudo resto é um absurdo, tudo. Não serve para nada. Quem inventou as máquinas de café de pastilha foi a Nespresso. Podemos comprar uma série de máquinas que se dizem também de pastilha, mas no final continuaremos a suspirar pelo George Clooney. Com o Coutryman é a mesma coisa, até pode ter o símbolo da Mini, mas na realidade não é o Cooper S.

Não sendo derrotista, apenas posso dizer que agora mais do que nunca, há muitos carros que não fazem grande sentido, sendo apenas fruto da mente das equipas de marketing, destinados a um público que cada vez menos compra aquilo que precisa. Mesmo o SLS, com tudo o que tem de estonteante, pareceu cru e inacabado, ou então e muito provavelmente, destina-se a um público que não privilegia a excelência do automóvel. Se agora estivesse comprador de um super-carro, ficava-me pelo Aston Martin Vantage em que me sentei esta semana. Pode não ser a coisa mais rápida à face da terra, mas enche todas as medidas do tipo de condutor para o qual foi desenhado. Sem peneiras, apenas soberbo. Mais ou menos como um espremedor de citrinos do Philippe Starck. Perfeito.

Tuesday, February 15, 2011

Isto tem andado parado



Isto tem andado um pouco parado, por isso como pequena consolação aqui fica algo para lavar as vistas.

Kimi em bom nível




Apesar de mais uma bronca no shakedown e de uns quantos piões, no geral acho que o Kimi andou bem na Suécia. Tem alguns momentos de registo, como um quarto e um sexto tempo à geral, para além de ter acabado logo a seguir ao Andersson e bem à frente do filho do Wilson e do outro tipo das gincanas, o Block.

Sunday, February 06, 2011

Lotus, Renault e Lada



Ainda sobre Robert Kubica, aqui fica a imagem da apresentação do seu carro de F1 para 2011, o Lotus Renault R31.

Diz-se que o carro é bonito essencialmente porque nos traz à memória um certo bólide conduzido por Ayrton Senna.

Revivalismos à parte, não deixa de ser estranho ver a Lotus na F1 através de marcas como a Renault ou a Lada.

Só não acontece a quem não...


Parece incrível que depois do brutal acidente que sofreu na Australia há dois ou três anos atrás, veja agora a sua carreira em sério risco devido a uma brincadeira num carro de ralis. Há quem diga que é o destino, outros dizem que quem brinca com o fogo queima-se. Provavelmente Robert Kubica estaria melhor numa qualquer estância balnear nas Caraíbas a preparar a temporada de F1. Assim não foi, o polaco sentou-se num carro de ralis e foi até Andorra onde acabou por se magoar a sério, com várias fracturas numa perna e uma mão muito mal tratada.

A vida é mesmo assim, existem aqueles que ficam no sofá e depois existem os outros, aqueles que não conseguem ficar à espera de nada, aqueles que serão para sempre lembrados.

Desejos sinceros de uma rápida e total recuperação.

Essência M



Há quanto tempo não aparecia um M tão perto da essência? Provavelmente este será o que mais perto está do E30 (antes, por lapso tinha escrito E36; obrigado sgdinis), se bem que o E46 ainda me enche as medidas todas.

Sunday, January 30, 2011

Típico Ayrton Senna



Ainda não saiu para os cinemas e já vence festivais, típico Ayrton Senna. O documentário deverá estrear junto a nós lá mais para o final da Primavera.

Thursday, January 27, 2011

Nada a dizer



Já me perguntaram acerca dos vencedores do Dakar 2011. Não falei aqui disso, aliás ultimamente isto tem andado um pouco parado, mas a razão pela qual não mencionei a vitória do Coma ou do Al-Attiyah, foi porque me pareceram duas vitórias absolutamente justas. Seriam igualmente naturais vencedores se estivéssemos a falar do Sainz ou do Després, pois estes quatro eram os melhores pilotos em prova e dos poucos que sabem conduzir.

O Nasser foi melhor que o Sainz e é para além deste o único piloto que sabe o que fazer com o volante. Não me venham falar do Peterhansel, pois é apenas um curioso da condução que navega muito bem. Para além de mais a BMW foi uma completa desilusão, no Dakar como em tudo o que é competição em que tem participado.

Pergunto só há quanto tempo não vemos um BMW ganhar uma competição mundial? A marca bávara entra em tudo o que é categoria do desporto motorizado, mas resultados nada.

Sunday, January 23, 2011

Sonhar em alemão



A revista EVO elegeu este ano o Porsche 911 GT3 RS como o carro do ano de 2010. Não é a eleição do carro alemão que me surpreendeu e que me faz aqui escrever. Para além da longa lista de supercarros, 911 GT2 e GT3 RS, Audi R8 V10 Spyder, Lotus Evora S, Lexus LFA, Lamborghini 570-4, Mercedes SLS AMG, Ford Focus RS500, Nissan GTR e Ferrari 458 Italia - ainda lá faltavam uns quantos como o Ferrari 599GTO, o Veyron Super Sport, o BMW M3 GTS e pelo menos um dos Zondas que saíram em 2010 - o que mais relevante me salta à vista é que de dez carros quatro são genuinamente alemães e outro, o Lamborghini, é quase um italiano naturalizado germânico. Dos outros cinco, dois são japoneses, um americano, um italiano e só um inglês. Sem dúvida, o mundo automóvel mudou muito nos últimos quarenta anos, da pátria das quatro rodas que era a Inglaterra já quase nada resta e são hoje os alemães que ditam as regras da maior indústria mundial.

A Alemanha, o maior exportador mundial em valor, detém hoje, de forma admirável, o destino do automóvel, não se limitando apenas a fazer carros fiáveis e robustos, pois também já produzem os sonhos de quatro rodas. Os ingleses mostraram-nos que os automóveis serviam para muito mais do que simples meios de transporte e ainda bem, mas hoje tudo isso acabou, por mais que nos custe, com raras excepções, são os alemães que nos fazem sonhar.

Saturday, January 08, 2011

Dakar é quase nosso



Penalizações à parte, a prestação dos motards portugueses no Dakar está a ser pura e simplesmente soberba. Sistematicamente nos cinco primeiros, a ganhar etapas, sempre no meio do protagonismo, tivemos até agora três pilotos, Rúben Faria o terceiro das KTM, Paulo Gonçalves o primeiro das BMW e Hélder Rodrigues o primeiro das Yamaha, ao mais alto nível.

Não consigo deixar de pensar no que terá originado tal avalanche de pilotos lusos e só pode mesmo ter sido o facto das edições do Dakar realizadas em Portugal terem tornado esta numa prova muito popular entre nós.

Quantidade já temos, agora só falta mesmo ter um vencedor entre nós. Després e Coma parecem inantingíveis, mas depois do que vi ontem da prova do Hélder Rodrigues, acho que será só uma questão de tempo. Até ontem, a imagem comum de um piloto luso no deserto era sempre de esperar por alguém, tal a sua incapacidade de navegar a solo. Rapidez nunca lhes faltou, mas andar de moto, olhar para o road-book e GPS ao mesmo tempo era algo demasiado complicado. Ontem o Hélder chegou-se aos primeiros, olhou para a frente e arrancou, seguindo sozinho, à frente de tudo e todos, navegando imaculadamente durante duzentos quilómetros, até chegar à meta isolado. É só uma questão de tempo.



Sunday, January 02, 2011

Paris Hilton no mundial de 125cc



Por vezes encontramos patrocínios absolutamente fora do normal, que o diga o Randy de Puniet que andou provavelmente com o melhor patrocínio do mundo, o da revista Playboy.

Agora aparece a Paris Hilton a patrocinar uma equipa do mundial de 125cc. Parece-me um pouco demais, demasiado rebuscado.

Saturday, January 01, 2011

Está aí mais uma edição do "quase" Dakar



Quem experimentou o "velho" Dakar africano e agora este "novo" sul-americano, diz que quase não se dá pela diferença, que a prova agora é quase igual à africana, a sua grandiosidade é quase a mesma.

O meu problema com este Dakar é mesmo isso, o "quase". Quase gosto dele agora como gostava do antigo.

O "meu" Dakar não é quase a expressão máxima do desporto motorizado, não é quase a mais bela corrida do mundo. O "meu" Dakar é(!) isso tudo e muito mais.

À beira do começo de mais uma edição sul-americana, os votos que faço é para que regresse rapidamente à origem, ao continente africano, que acabe mesmo em Dakar e no seu lago rosa.

Salvem o Ring?



Não acredito muito nestas campanhas de solidariedade virtuais, mas como o Ring habita um lugar especial no imaginário de todos nós, não será por falta de destaque neste espaço que sairá prejudicado de qualquer forma. Aqui fica o link para a campanha "Save the Nurburgring".

Eu observei por duas vezes a, agora tão criticada, megalomania que se criou à volta do Inferno Verde e não posso negar que me questionei sobre a sustentabilidade de tudo aquilo, mas por outro lado, como apaixonado que sou, quis sempre acreditar que a paixão pela velocidade poderia ser por uma vez grandiosa e rentável. Para além do mítico circuito qualquer um se impressiona com o que se criou à volta deste, mas tratando-se de um investimento público de um país como a Alemanha nunca imaginei que se estivessem a meter num buraco tão grande. Pelo que li, parece mais que estão a falar dos investimentos públicos portugueses.

Sinceramente, acho que mais do que petições na internet, a melhor maneira de ajudar o Ring é juntar uns trocos - se compararmos com o que pedem para se andar num carro decente no Autódromo de Portimão, estamos mesmo a falar de trocos - e ir até lá derreter um bocado de borracha e queimar uns litros valentes de gasolina. O divertimento é garantido.