Sunday, February 22, 2015

Abastecer na BP, nunca mais.



A foto é de uma publicidade absolutamente enganosa.

A BP discrimina o motociclistas. Impede o abastecimento da moto sempre que se tenta efectuar o acto ainda sentado nesta.

Honestamente, ainda conseguia entender esta atitute há trinta anos atrás, no auge da desconfiança no motociclista, mas hoje em dia é uma prática simplesmente retrógrada e discriminatória. Para além do mais não o assume, agindo de forma hipócrita como se pode comprovar neste tipo de publicidade retirada do seu site. Não o assume porque ao entrar-se num posto de abastecimento nada indica o motociclista de que não poderá abastecer se não desmontar da moto.

 A BP perdeu hoje um cliente. Devia ter sido há mais tempo.

Tuesday, February 17, 2015

É lindo e basta

Já li muito sobre o F da Jaguar. Em quase todo o lado dizem que tem pelos menos uma mão cheia de defeitos. É bem-parecido e tem um som fantástico, mas pouco mais do que isso. Parece também que é caro, ao nível de um 911.

Acredito que leio revistas da especialidade escritas por gente que de facto percebe de carros e que não faz fretes, estilo Autohoje ou similares. O seu julgamento sobre o Jaguar mais significativo desde o E, estará certamente correcto.

Quero que se lixe! É o que penso sempre que vejo um. Quero lá saber se não é a última máquina de corrida. É lindo de morrer e eu quero um. Por isso mesmo, porque é abismalmente bem desenhado quando comparado com a maioria do que é feito hoje em dia.

Há quem procure a beleza em tudo o que nos rodeia. Pois, por vezes ela aparece sob a forma de um automóvel. O Jaguar F type é um desses casos.

 

Friday, February 13, 2015

O Enduro





Por alguma razão difícil de descrever o Enduro é uma das modalidades que mais participantes tem no mundo das duas rodas.

Sunday, January 25, 2015

No final ganha o Ogier



Os ralis de hoje são como os ralis de há dez anos. Andam todos a fundo e no final ganha um Sebastien.

Agora é o Ogier, antes era o Loeb. Nunca, mas mesmo nunca torci pelo Loeb. Porque não era necessário. Ele ganhava sempre. Fi-lo pela primeira vez neste Monte Carlo, porque queria ver outro Seb no primeiro lugar e queria poder assistir a uma bonita história; a do tipo que foi à sua vida, depois de ter ganho tudo o que havia para ganhar, várias vezes, muitas vezes e depois regressa, por que lhe apeteceu e volta a ganhar.

Não ganhou, porque não há milagres. Por mais que esteja em forma, não se ganha ritmo de WRC em meia dúzia de kms. Vimos um Loeb a arriscar muito mais do que no passado e isso teve um preço, pago naquela pedra à saída de uma direita coberta de neve.

Da participação esporádica do francês não se tiram muitas conclusões, a não ser a de que a Citroen não tem um verdadeiro piloto de campeonato do mundo. Gosto do Meeke, mas não é ele que vai ganhar ralis ao Ogier.

 Acabou por ganhar outra vez o Ogier. Paciência.

Thursday, January 22, 2015

Aos que ainda tinham dúvidas



Muito provavelmente o Ogier iniciou o rali de Monte Carlo à defesa e daí os trinta segundos que "levou" do Loeb, mas mesmo assim a forma como este último conquista a primeira posição de um rali que está a disputar por "carolisse", é absolutamente brutal.

Àqueles que ainda até hoje discutiam se o francês seria de facto o melhor piloto de ralis de todos os tempos, ou se os nove títulos mundiais se deveram apenas ao facto do Citroen ter sido um carro muito mais competitivo do que os outros, acho que a demonstração de hoje ajuda a pender a balança a favor do piloto.

Nunca foi o meu piloto favorito, mas é certamente o maior de sempre nos ralis e um dos desportistas mais impressionantes do meu tempo.

Friday, January 02, 2015



O Dakar está a começar. Já não era sem tempo.

 Se nas motos a maior novidade é a não participação do Després - este ano mudou-se para os carros e vai ao volante de um Peugeot - nos carros é com grande expectativa que se espera a prestação do Sainz e do Peterhansel.

 Acho que esta expectativa se prende para lá do regresso da Peugeot à prova mais impressionante do mundo. O interesse está também no facto dos Peugeots estarem a quebrar um paradigma, em muito criado por eles há mais de vinte anos atrás. O paradigma das quatro rodas motrizes. É verdade que o Schlesser já ganhou um Dakar com um buggy, mas foi em condições muito especiais, num Dakar quase desenhado para ele.

A Peugeot, que nos anos oitenta saiu dos ralis para nos brindar com autênticos recitais de pilotagem do Vatanen no deserto, sempre aos comandos de carros com tracção às quatro rodas, aparece agora com uma coisa que não é um buggy, mas que só tem tracção atrás. Para mostrar como séria é a sua aposta, contratou dois dos melhores pilotos do mundo e diz que vai fazer frente aos Mini.

 Estou de facto curioso para ver como aquele carro de rodas de diâmetro de camião e com uma distância entre eixos de um Smart, se irá comportar frente aos Mini de quatro rodas motrizes. Para já, parece que pelo menos em conceito, a solução não será muito má, ou não tivesse a Mini colocado, a título experimental, também um buggy a correr nesta edição, só para ver como é passar uma duna sem as rodas da frente a ajudar.

Friday, December 26, 2014

F1 2014



2014 foi o ano do Hamilton. Porque ganhou o campeonato, mas mais pela forma como ganhou. Contra um Nico no topo da sua forma, contra um alemão numa equipa alemã. Um Hamilton maduro, capaz de se manter calmo durante grande parte das adversidades, como se viu na última corrida do ano, a corrida do título, quando mesmo perdendo a pole para o colega e rival, manteve-se no topo "do seu jogo" para arrancar de forma fulminante e acabar logo ali, no arranque, com as esperanças vitoriosas do filho do Keke.

 Se o Nico não desiludiu - muito pelo contrário, não tivesse ele que partilhar a "garagem" com o Hamilton e seria um justo campeão do mundo - quem surpreendeu mesmo muito foi o Ricciardo. Que surpresa e que confirmação de pilotaço. Abafou o Vettel e tudo o resto. Não fosse um Red Bull muito abaixo dos Mercedes e teria lutado pelo título. Novamente, que piloto!

Referências positivas para o Bottas e Hulkenberg. Negativas para o Magnussen, que apesar da velocidade não mostrou classe para ali estar e para o Grosjean, que quando teve carro nunca esteve lá. Depois foi quase tudo mediano, com alguns louvores para os Williams e para o Alonso. Digo quase, porque Red Bull e o Vettel estiveram mal e a Ferrari esteve péssima, medíocre mesmo. O Kimi desapareceu, ou melhor, a certa altura retrocedeu. No entanto, no seu caso como no do Vettel, acho que o problema não está todo no piloto, uma vez que estes não desaprendem e estamos a falar de campeões do mundo. A Red Bull ainda foi capaz de entregar um carro amiúde competitivo, já a Ferrari nunca conseguiu ter um carro de Top5 e não fosse o génio do Alonso coisa poderia estar muito pior, o que não é algo fácil de imaginar - como é que aquilo poderia acabar pior?

 Este presidente do grupo FIAT é completamente lunático, com tiradas a roçar a incompetência. Apesar da esperança de ver os carros vermelhos novamente no topo, na verdade não espero nada de muito bom nos próximos tempos. O pior é que já nem sequer falo da equipa de F1, pois as jogadas de venda de parte da empresa do Cavalino para pagar a dívida comprada à Chrysler e entretanto acumulada na FIAT, não traz nada de optimista. Grande parte do segredo dos últimos vinte anos na marca dos carros vermelhos tinha sido a estabilidade accionista, directiva e a independência do resto dos devaneios do grupo FIAT. Infelizmente, nos próximos anos não se espera nada de bom pelos lados de Maranello. Volta Luca, estás perdoado.

 Por falar em excessos directivos, acho que já está mais que na hora do Bernie pedir a reforma. Ainda que tenha sido ilibado do processo que corria na Alemanha, a verdade é que o duende está para lá do prazo. Não sou ingrato e como fã da F1 reconheço a tarefa épica que este teve durante anos e que colocou o desporto num nível absolutamente inimaginável. Mas já chega, acho que está cansado ou então é o resto do mundo que está cansado das tiradas de burgesso, de ditadorzinho, de retrógrado prepotente. Ele não faz tudo bem, como ninguém faz, mas não aceita esse facto, a culpa é sempre dos outros e já são mais as vezes que falha do que as que acerta. Veja-se o campeonato deste ano, comparado com os últimos três. OK, ele vai dizer que quem faz o regulamento técnico é a FIA e que ele nada tem a ver com esta coisa destes carros que nem barulho fazem, mas isso é a resposta habitual da sua soberba. Se ele é quem manda no campeonato deveria ser mais competente antes de deixar os engenheiros da FIA espiarem as suas frustrações nas regras da F1 sempre que esta está a ter algum tipo de corridas bem disputadas. Depois houve a vergonha de ter equipas sem conseguirem participar em todas as rondas do campeonato, pura e simplesmente porque as exigências deste estão a anos luz da realidade das equipas de uma forma geral - a bem dizer o campeonato que o duende organizou este ano só serve quatro equipas, Red Bull, McLaren, Mercedes e Ferrari.

No global, 2014 foi um mau ano para a F1. Ficarão para a história as boas disputas do Hamilton com o Rosberg e o título do primeiro. O segundo perdeu a sua hipótese de ser campeão do mundo e acho que não terá outra.

Monday, December 22, 2014

Assustador





Já participei num acidente deste género, mas não foi de noite, não havia neve e seguia a pelo menos um décimo da velocidade. Assustador.

Monday, December 08, 2014

A queda do Ruby

Parte do mundo Cafe Racer está de luto. Pelo menos a parte mais recente desta comunidade, a da moda das calças dobradas e dos Belstaff, a parte mais estilística, que é tão válida como qualquer outra, mas que se presta mais a ser jocosamente comentada. A empresa que produzia os capacetes Ruby abriu falência e com ela muito provavelmente nunca mais veremos os famosos capacetes de mil euros. Era uma espécie de Louboutin dos capacetes, que eu até gostava. Nunca tive nenhum, provavelmente nunca terei, mas gostava de ver. Enfim, apenas mais um ícone recente que irá desaparecer.

Thursday, November 20, 2014

Erro duplo

O Rali de Portugal de volta ao norte, ainda que a Guimarães e não a Fafe, como muito se cogitou. Para mim, um erro. Um erro duplo. O Norte do País é demasiado acanhado, apertado, exíguo para uma prova desta dimensão se realizar com a serenidade com que se realizou nos últimos anos no Algarve. Como país a aposta faz sempre mais sentido no Algarve, para tentar compensar alguma da sasonalidade do turismo balnear. Há sempre o argumento do público, que está em maioria no Norte. Os verdadeiros fãs farão sempre 500 ou 600 kms para ver o seu desporto de eleição. Os outros, os simpatizantes, são aqueles que acabarão por estragar o rali a norte. São demasiados, pouco respeitadores, pouco conhecedores e com motivações que vão muito para lá dos carros. Da mesma forma que sempre rumei a Sul, agora rumarei também a Norte, onde reencontrarei os mesmos amigos de sempre, aqueles que seguem o rali para onde ele for. Reencontrarei também muitos outros, aqueles que quanto a mim acabarão por tirar ao Rali de Portugal aquela dimensão que encontrou no Algarve, aquela dimensão de Mundial, ainda que com menos gente junto à estrada, apenas a gente suficiente.

Saturday, November 15, 2014

Uma questão de estilo

Nos salões da especialidade cada vez se apresentam menos novidades técnicas. Talvez seja pelo facto das motos estarem a atingir um nível de performance que já não está acessível a quem não tenha a habilidade do Rossi. Motos com mais de 180 cvs e menos que esse número em kgs, são hoje uma realidade muito comum. Autênticas motos de corrida, que como tal, requerem pilotos de corrida.

Depois há toda a coisa da electrónica, que para além dos amantes das BMW não fascina muito o motociclista comum - a electrónica filtra muito do que é conduzir e é por causa da experiência de condução que se anda de moto.

O que tem aparecido muito nos salões de motos são derivações dos mais variados feitios, formas e conceitos. O motociclista quer cada vez mais um veículo que marque o seu estilo, a sua individualidade. É aí que o mundo das motos se separa dos carros, que cada vez são mais todos iguais.





Sunday, November 09, 2014

A calculadora





Esta coisa da nova pontuação da F1 baralha muito as coisas, no entanto não acho que seja completamente injusta.

A bom ver, o Hamilto foi o piloto mais virtuoso do ano, arrancando as melhores exibições e as vitórias mais brilhantes.

O Rosberg foi o mais certinho, errando pouco, vencendo sem grandes espalhafatos, assegurando muitos e valiosos pontos, mesmo nos dias em que nitidamente não estava tão rápido quanto o Hamilton.

Assim, chegamos à última corrida com uma ligeira vantagem do astro da condução sobre o contabilista, que quanto a mim espelha bem o equilíbrio do campeonato.

Há quem diga que se o Hamilton perder na última prova será injusto. Falamos então, depois dessa última prova, naquele impressionante circuito que mais parece um jogo de consola.

Friday, October 31, 2014

Portalegre 2014

Esta prova é incontornável há quase trinta anos, mas este ano com esta lista de inscritos e com temperaturas de Verão - acho que é prova que nunca farei com chuva - é também imperdível.

Ainda para mais na companhia de um bom amigo, que também é um piloto de mão cheia, dos que melhor tratam do volante, dos pedais e afins.

Os meus heróis têm nome e este chama-se Pedro Dias da Silva.

Sunday, October 19, 2014

Rossi

Ninguém que perceba um pouco de motos podia esperar a vitória de hoje, de Valentino Rossi.

Partiu de oitavo, o Márquez estava destacado na frente e a Yamaha não tem a velocidade da Honda.

O italiano ganhou no seu GP número 250, o que é absolutamente memorável.

A carreira deste homem é já memorável. Ainda estamos todos à espera de algo que manche o que até aqui tem sido um percurso absolutamente imaculado, mesmo que se já longo, muito longo.

É certo que os números do Agostini são mais impressionantes, mas Rossi é o maior de todos os tempos.

Nos carros ainda podemos falar do Schumacher, do Fangio, do Senna e por aí fora, mas nas motas não há dúvidas.

Rossi não é só o maior das motas, é também um o exemplo do que o desporto motorizado deve ser.

 

Saturday, October 11, 2014

Baja TT Rota do Douro - o mais importante já lá está





Já aqui escrevi antes, várias vezes, que o que faz a viagem é a estrada e não tanto o veículo.



Foi com esta convicção que me inscrevi na primeira edição da Baja TT Rota do Douro.  Uma prova a sair da marina de Gaia até à Régua em cerca de 250 Kms de prova cronometrada em linha, passando por muitos troços do antigo rali de Portugal, terminando em 45 kms feitos a fundo, pelo meio das vinhas até ao Pinhão, era absolutamente irrecusável.



É claro que organizar uma prova desta dimensão no rendilhado douriense, passando por não sei quantas propriedades, localidades, quintas e em plena época de vindimas é um autêntico tirocínio, mas a organização mostrava-se confiante e a perspectiva de treinar para a participação no Portalegre em tão grandioso cenário, não levantou muitas dúvidas na hora da inscrição.



A prova estava para lá de mal marcada, toda a gente se perdeu pelo menos uma vez. Os cruzamentos e as localidades obrigavam a um limite de velocidade de 50km/h que ninguém respeitou. Todos encontrámos muitos animais no percurso. Muitos houve que encontraram veículos, carregados de uva, acabados de sair das vindimas (!!!) - ninguém se aleijou, mas foi por pouco, uma aberração em termos de segurança.



Se voltava a fazer esta prova? Já amanhã. O percurso valeu por tudo o resto. A beleza natural, a Aboboreira, o Marvão e aquela descida triunfal até ao Pinhão, entre vinhas e vinhedos fazem com que se esqueça tudo o resto.



Parece que para o ano irão organizar a segunda edição, não mais em Setembro, para evitar a confusão das vindimas. Decisão sábia.



Com um pouco mais de esforço na marcação do percurso e alguns ajustes nos horários, esta tem tudo para ser uma prova de antologia. O que conseguiram este ano foi já notável, seguramente para o ano será novamente inesquecível, porque o mais importante já lá está, a beleza do percurso, da estrada.

O triste peso da senilidade

Custa muito ver pessoas que tiveram contribuições inestimáveis para a sociedade perderem, com o passar da idade, a noção de quando devem estar calados, veja-se o caso do nosso ex-presidente Mário Soares. O problema com Helmut Marko é que este nunca teve nenhuma contribuição para o bem comum que deva ser mencionado, no entanto, o nível de idiotice das suas afirmações continua a aumentar, de forma quase exponencial à sua idade.

Wednesday, October 08, 2014

Os acidentes não acontecem assim, são provocados.

Por mais que me digam que os acidentes acontecem, neste caso acho que não deveria ter acontecido. Porquê? Porque uma grua, outro qualquer veículo, ou mesmo um comissário de pista, nunca poderão entrar para lá das barreiras de protecção enquanto os carros estiverem em ritmo de corrida. Aceitaria apenas a entrada da grua para retirar o Sauber, caso o safety car estivesse já com os carros agrupados atrás de si. O que ocorreu foi facilitismo. Foi acreditar na sorte. Aceito que a profissão de piloto de F1 é das mais arriscadas do mundo, mas isso só deverá ser aceitável quando o risco que os pilotos correm se deve às velocidades que alcançam e nunca devido à negligência dos comissários ou outro qualquer interveniente intempestivo. Uma coisa é perder a vida porque se estava a dar o seu melhor, no limite da velocidade. Outra coisa é perder a vida porque um tipo entrou com um Caterpillar em pista. Bem aventurado sejas, Bianchi.

Friday, October 03, 2014

Vai deixar saudades



Não posso dizer que estou contente. Não era o meu piloto favorito, principalmente depois da trapalhice que foi a sua passagem pela McLaren, mas é um dos melhores, se não mesmo o melhor piloto da actualidade. Há muito que se repete que Alonso, por si só vale 0.3 segundos por volta. Deve ter sido por isso que lhe ofereceram 50 milhões para se mudar para Woking.

Não estou a ver uma contratação evidente para substituir o espanhol, talvez Vettel. Menos que isso saberá a derrota ainda mesmo da temporada começar.

Thursday, September 25, 2014

Quase nada

 
Sete milésimos é quase nada. Mas ainda que invulgar, comum na F1. Os amantes dos outros desportos ficam incomodados com a escala temporal do desporto do Bernie, é que aquilo são zeros a mais depois da vírgual e muitos já têm tanta dificuldade com os décimos, quanto mais com os milésimos.

Há muito, acho que desde os oitentas, que nos habituámos a contar o tempo em milésimos de segundo, pelo menos ao Sábado antes de almoço - no Domingo já a "coisa" perde relevância. No entanto, nos últimos cinco a dez anos, contar milésimos ficou mais ainda comum. Hoje em dia as diferenças são mais pequenas e quando em carros semelhantes, os pilotos qualificam-se uns "em cima" dos outros.

Os pilotos têm formações similares, escolas de condução muito idênticas. A telemetria e as ajudas dos engenheiros também estão democratizadas. Os pneus são iguais para toda a gente. Os circuitos são do conhecimento geral, não havendo praticamente estreantes. Depois há também os simuladores, que ajudam a fazer "tábua raza" na vantagem dos mais experientes. É assim natural que andem todos muito mais juntos.

Mas para mim, há uma coisa que faz com que andem mesmo todos muito juntos: os carros actuais. É claro que os Mercedes não dão hipótese a ninguém, mas em carros iguais os pilotos andam todos mais juntos, porque hoje a condução é muito mais fácil e previsível. Já não vou falar das ajudas electrónicas, mas só o facto de ser impossível falhar uma troca de caixa, de não ter que se lidar com a embraiagem, nem no arranque, de quase se poder esmagar o acelerador a meio de cada curva, para além do inacreditável grip dos carros, faz com que a imprevisibilidade, a diferença do humano, desapareça quase por completo.

A diferença faz-se muito no virtuosismo, mas numa qualificação, em que a pressão por fazer a volta perfeita é mais que muita, o erro tem ainda mais preponderância e como hoje é muito difícil de errar, pois o carro não deixa, então a diferença é feita só mesmo por este último. Como os dois Merecedes são iguais, a diferença entre eles deve ser nula ou quase nada. Sete milésimos, são quase nada.

 

 

Sunday, September 14, 2014

Quem sai aos seus não degenera.



O que o filho do Prost fez hoje ao Heidfeld não foi acidental, foi propositado.

Há quem diga que é na pista que se revelam as verdadeiras personalidades, o verdadeiro carácter de cada um. Não consigo deixar de pensar que neste caso o pai teve muita influência no carácter do filho.

Uma nota final para a aberração que é fazer corridas em circuitos construídos "à pressão", por motivos puramente economistas - O Heidfeld podia ter-se aleijado a sério.