Tuesday, May 03, 2011

Visão (ou falta dela)



Ainda hoje me impressiona o facto do astro português do motociclismo correr com apoios maioritariamente espanhóis. Não é que o Miguel Oliveira precise de esmolas, mas a falta de visão das grandes empresas portuguesas, que poderiam ter no jovem piloto um veículo de publicidade por excelência, é atroz e espelha bem porque é que uns tipos a quem chamámos "troika" têm que nos vir ensinar a governar a casa.

No pelotão do MotoGP encontramos patrocínios das grandes petrolíferas mundiais, no entanto a Galp, que se diz uma empresa ibérica, não conseguiu perceber o potencial de um desporto que é o primeiro a seguir ao futebol em Espanha e onde pela primeira vez Portugal tem um ídolo por quem vibrar.

Saturday, April 30, 2011

911 GT3 RS 4.0



A Porsche ensina-nos há muito como fazer render um conceito. Na última geração acho até que exageraram um pouco, pois há tantas versões do mesmo carro que as mesmas se canibalizam um pouco umas às outras.

Pouco importa, parece que esta é a derradeira interpretação desta série, o 911 GT3 RS 4.0. Para mim, um dos que figurava de certeza em qualquer garagem de sonho.

Em suma, 500 cvs, 125cv/litro, 1360 kg e 7m27s numa volta ao Nurburgring!

O que faltava na lista de extras



Existem listas de extras e listas de extras. Há quem diga que a do Porsche Panamera é das mais completas de sempre, não faltando a cobertura em pêlo do volante e a esteira de esferas de madeira para um sentar mais confortável. Ah, não esquecer do suporte para o bloco de notas.

Monday, April 25, 2011

Ressureição

Cafe cowboy from benedict campbell on Vimeo.


Não gosto de máquinas velhas, por princípio. Sonho com um GT3 última geração, ou uma 1098 com quick-shift e embraiagem deslizante. Nunca me dei ao gosto de olhar para clássicos, máquinas que já tiveram os seus tempos de glória. Não que não ficassem bem na garagem, mas só para admirar e relembrar os tempos em que foram grandes. Para andar e acelerar temos o melhor que a tecnologia dos nossos dias nos dá, de forma análoga à substituição do Spectrum pelo iPad.

Não encaro o estilo "cafe-racer" como algo que estima o bolor e o cheiro a mofo. Não se trata de adorar espíritos passados. Trata-se de dar uma nova vida, um novo sentido a algo que já chegou ao fim da vida para que tinha sido concebido. Daí o fascínio de ver reinterpretados motores e quadros que já tiveram várias vidas passadas. Se há quem acredite que as máquinas têm alma, então é aqui que elas reencarnam.

Dolly Parton 30 polegadas



O diâmetro das jantes é como o tamanho do sutiã, quer-se com alguma dimensão. Neste caso, trinta polegadas parece-me um pouco exagerado, um pouco Dolly Parton.

O Dumbo não existe



O Coma e o Rúben Faria foram para o deserto mais uns tipos dos X-games, tentar fazer freestyle.

O problema é que ao invés dos malucos dos jogos da adrenalina, não levaram motos próprias para o efeito, decidiram levar as motos com que normalmente disputam o Dakar.

O resultado estava à vista, enquanto uns planavam pelas dunas os outros pareciam que estavam a tentar fazer voar um elefante.

Wednesday, April 20, 2011

A pensar no público, que é quem interessa


O último GP de F1 disputado na China foi das melhores corridas que vi ultimamente. O primeiro e o terceiro posto foram decididos nas últimas três voltas. Muito bom mesmo.

Para mim o que ainda falta na F1 moderna é visualização. Só num grande plano percebemos quem está a utilizar o DRS e só mesmo com a vista de dentro do carro se percebe quem está a usar o KERS.

Num troféu infinitamente mais básico que a F1, na VW Scirocco R-Cup, o público tem uma visualização infinitamente mais clara do que se passa com os chamados sistemas de "push-to-pass". Os carros têm uma luz à frente e outra atrás que acende sempre que o piloto aperta o botão do "boost" e como neste troféu este "gadget" tem um número limitado de 15 utilizações, podemos ver também na janela lateral quantas vezes já foi utilizado. Simples e eficaz, a pensar no público que é em última instância o objecto principal de uma corrida de automóveis.

Sunday, April 10, 2011

Auto-rádio, por favor.



É impressionante, a velocidade com que muda a percepção sobre o que deve ser um automóvel.

Infelizmente para nós, Tugas, não trocamos de automóvel tantas vezes como gostaríamos. O dia em que o fazemos é sempre especial, pois sabemos que irão passar largos anos sem que voltemos a sentir aquela sensação. Como tal, o momento em que estacionamos em frente ao café lá do bairro e mostramos a viatura à rapaziada pela primeira vez, faz parte do ritual e convém ser bem preparado. Memorizam-se detalhes, histórias sobre a compra, inflaciona-se o preço e por aí fora; da mesma forma, hoje em dia, como se fazia há vinte anos atrás. A diferença toda está na reacção da malta, nos comentários, nas perguntas.

O maluco dos computadores pergunta se "Tem sensores de estacionamento? E navegação? Tem sensor de chuva? Disco rígido?", logo de seguida o melómano pergunta "USB? Dá para ligar o iPod?", a que se junta o tipo da auto-estrada "Tem Cruise-control? ACC? Run-flat? Tem bancos aquecidos? Regulação eléctrica? Porta-copos?", mais o pai de família "Isofix? Como é a mala? DVD?". No final, para arrasar, em uníssono, "Qual é o consumo?".

Eu ainda suportava o "Tem ABS? E airbag? Direcção assistida? Vidros eléctricos?", mas isso foi há mais de dez anos atrás. O que aconteceu ao "Quantos cavalos tem? Bancos desportivos? E a suspensão?", "Como são os travões? Curva bem?", "A caixa? É curtinha?", "Tem autoblocante?", "Quanto pesam as jantes?", "Quanto é que dá?" ...

Esqueçam (!), hoje um carro é definido pelos gadgets, pelo número de botões e LCDs que tem no interior. O máximo que vos podem perguntar sobre as capacidades dinâmicas e de condução é se é confortável. Comprar um carro por ser confortável é como casar com uma mulher por ela ser pontual - talvez mude de ideias no futuro, quando tiver oitenta anos.

As marcas agem em conformidade, com listas de equipamento do tamanho das páginas amarelas. Cá para mim, a única cruz que não me esqueço de fazer numa lista de extras é no auto-rádio, quase tudo o resto é frescura.

A tradição M



A BMW abandonou os motores atmosféricos nos seus modelos mais desportivos, mas parece que foi só isso que mudou lá para os lados de Munique. Com o lançamento do novo M5 podemos concluir que a tradição mantém-se.

Wednesday, April 06, 2011

Não é a chuteira que faz o jogador



Típica sarda de quem não sabe o que tem debaixo do pé direito.

Tuesday, March 29, 2011

Belíssimo Rali


Três dias de Rali de Portugal, uma farturinha de carros, bifanas, minis e muito pó.

Gostei muito do Petter Solberg, pouco do irmão, assim-assim do Hirvonen e do Latvala, o habitual do Loeb, um pouco mais do Ogier, absolutamente nada do Daniel Oliveira, bastante do Kimi, o Wilson não aquece nem arrefece, o Armindo aqueceu bastante o público, o Mini nem por isso, o Bernardo sempre ao rubro... até bater, o Peugeot do Bruno não dá para mais, o Moura também não; o Kimi zupou o Villagra, o Ogier zupou o Loeb, a Ford não zupou ninguém e o Solberg (Petter) merecia zupar toda a gente. O público esteve bem, a organização também, grande ideia a dos Jerónimos, a malta da capital já não sabia o que eram automóveis a sério.

Em resumo, mais uma grande prova de automobilismo, de primeiro nível mundial, aqui, já ali no Allgarve, bem perto de nós.

Tuesday, March 22, 2011

Ano difícil, o mais difícil de sempre



Este é de longe o mais difícil ano da carreira do Rossi.

Pela primeira vez tem concorrência à altura, Stoner e Pedrosa em Honda e Lorenzo em Yamaha.

Tem que transformar um cavalo indomável como a Ducati em algo que consiga curvar e que não seja só um míssil balístico em recta.

Não tem um colega de equipa que possa desenvolver a mota com ele.

A Ducati não tem um orçamento infinito para desenvolver a moto.

Os tiffosi não estão todos do lado dele, já que a Ducati teve que acabar com a mítica equipa de SBK para financiar o salário do Rossi.

Já não tem vinte anos e o físico começa-se a ressentir - é dos pilotos que mais exige dos ombros já que poucos tiram tanta vantagem da travagem como ele.

Por tudo isto, se ele conseguir vencer um campeonato com a equipa transalpina, fica determinantemente provado que é o melhor piloto de todos os tempos.

Tuesday, March 08, 2011

Pornografia de duas rodas



Vyrus M2!

Pornografia Auto



É isto que se espera de um supercarro, fantasia, loucura, exagero, pornografia.

Sunday, February 27, 2011

O aspirador, a Bimby, a lavadora e o George Clooney



Abençoadas oportunidades profissionais que nas últimas semanas me têm permitido experimentar algumas máquinas de quatro rodas absolutamente invulgares. Escrevo apenas sobre as viaturas a gasolina, pois ao pé destas tudo o resto pertencia à categoria de veículos agrícolas.

Não foram tão poucos como isso os quilómetros que fiz a bordo de um Mercedes E63 AMG Station, de um Mercedes SLS, de um BMW X6 Hybrid e de um Mini Countryman.

O SLS AMG é impressionante, não só pela aceleração, mas muito mais pela forma soberba como trava. Estável, seguro, irrepreensível em desaceleração, característica muito apreciada por quem não tem coração para máquinas que ultrapassam a marca dos 300km/h. O carro é bonito, apesar de eu não ser grande fã de revivalismos, é uma máquina com um certo "appeal", principalmente quando se abrem as portas. Lá dentro surge a maior desilusão. Um super-carro deve levar-nos de volta para quanto tínhamos 7 anos. O SLS utiliza tudo o que são manípulos e botões de coisas como o Classe A. Esperava algo mais especial de um veículo desta estirpe. Tudo o resto foi soberbo. Trava, acelera e curva pra caraças. É até confortável, dentro do género, mas ficará sempre na minha memória por ser um autêntico aspirador de olhares e quiçá de miúdas com propensão para jogadores de futebol. Será esse o destino deste carro, para não dizer que é um dos propósitos da sua génese. Condutores pouco afoitos, que não querem mais do que dar nas vistas, muitas das vezes na crise de meia-idade, por forma a aspirarem alguém na casa dos vinte anos. Ah, quase me esquecia, a caixa foi tirada de um táxi.

Julgo que grande parte do motor do E63 AMG é partilhada com o SLS, pelo menos a sonoridade e os ráteres em desaceleração são semelhantes. Tirando isso, tudo o resto era quase normal, expectável. OK, a potência impressiona, mas a massa a deslocar é tão grande que não conseguimos deixar de sentir que aquilo tudo é um pouco exagerado. A carrinha tinha tudo o que se possa pedir num automóvel dos nossos dias, até o apoio dos bancos se adaptava consoante os Gs laterais. Tinha botões e gadgets que não cheguei a perceber para que é que serviam, mas no final do dia, tudo se resumia ao binário devastador do V8 e ao barulho do trovão que este emitia. Serviu para fazer uns burnouts e muitos donuts, passados 15 minutos já chega. Tanta coisa para tão pouco. Mais ou menos como dar os tais mil e tal euros pela Bimby para depois fazer granizados de limão e umas sopas para o bebé.

O BMW X6 Hybrid é uma viatura que ainda hoje não entendo. O X6 normal já é uma coisa estranha, mas este era ainda pior. Nada mais que um V8 absolutamente banal (parecia tirado de um Escalade ou qualquer outro SUV pachorrento das estrelas de hip-hop) associado a um motor eléctrico com a potência de um leitor de cassetes. Não percebi nada. Fez-me lembrar aquelas lavadoras de pressão caríssimas, que deitam água como as outras e que assim como estas, não evitam que tenhamos que esfregar o carro à mão.

Bem, para o final ficou aquela espécie de Mini a quem chamaram Coutryman, homem do campo. Não vale a pena escrever nada acerca deste aborto automóvel. De Mini só tem mesmo o nome, tudo resto é um absurdo, tudo. Não serve para nada. Quem inventou as máquinas de café de pastilha foi a Nespresso. Podemos comprar uma série de máquinas que se dizem também de pastilha, mas no final continuaremos a suspirar pelo George Clooney. Com o Coutryman é a mesma coisa, até pode ter o símbolo da Mini, mas na realidade não é o Cooper S.

Não sendo derrotista, apenas posso dizer que agora mais do que nunca, há muitos carros que não fazem grande sentido, sendo apenas fruto da mente das equipas de marketing, destinados a um público que cada vez menos compra aquilo que precisa. Mesmo o SLS, com tudo o que tem de estonteante, pareceu cru e inacabado, ou então e muito provavelmente, destina-se a um público que não privilegia a excelência do automóvel. Se agora estivesse comprador de um super-carro, ficava-me pelo Aston Martin Vantage em que me sentei esta semana. Pode não ser a coisa mais rápida à face da terra, mas enche todas as medidas do tipo de condutor para o qual foi desenhado. Sem peneiras, apenas soberbo. Mais ou menos como um espremedor de citrinos do Philippe Starck. Perfeito.

Tuesday, February 15, 2011

Isto tem andado parado



Isto tem andado um pouco parado, por isso como pequena consolação aqui fica algo para lavar as vistas.

Kimi em bom nível




Apesar de mais uma bronca no shakedown e de uns quantos piões, no geral acho que o Kimi andou bem na Suécia. Tem alguns momentos de registo, como um quarto e um sexto tempo à geral, para além de ter acabado logo a seguir ao Andersson e bem à frente do filho do Wilson e do outro tipo das gincanas, o Block.

Sunday, February 06, 2011

Lotus, Renault e Lada



Ainda sobre Robert Kubica, aqui fica a imagem da apresentação do seu carro de F1 para 2011, o Lotus Renault R31.

Diz-se que o carro é bonito essencialmente porque nos traz à memória um certo bólide conduzido por Ayrton Senna.

Revivalismos à parte, não deixa de ser estranho ver a Lotus na F1 através de marcas como a Renault ou a Lada.

Só não acontece a quem não...


Parece incrível que depois do brutal acidente que sofreu na Australia há dois ou três anos atrás, veja agora a sua carreira em sério risco devido a uma brincadeira num carro de ralis. Há quem diga que é o destino, outros dizem que quem brinca com o fogo queima-se. Provavelmente Robert Kubica estaria melhor numa qualquer estância balnear nas Caraíbas a preparar a temporada de F1. Assim não foi, o polaco sentou-se num carro de ralis e foi até Andorra onde acabou por se magoar a sério, com várias fracturas numa perna e uma mão muito mal tratada.

A vida é mesmo assim, existem aqueles que ficam no sofá e depois existem os outros, aqueles que não conseguem ficar à espera de nada, aqueles que serão para sempre lembrados.

Desejos sinceros de uma rápida e total recuperação.

Essência M



Há quanto tempo não aparecia um M tão perto da essência? Provavelmente este será o que mais perto está do E30 (antes, por lapso tinha escrito E36; obrigado sgdinis), se bem que o E46 ainda me enche as medidas todas.